top of page

Vivienne Westwood e sua influência punk na moda mainstream

Foto do escritor: Mariana Hilal
Mariana Hilal
15 de abr. de 2024
3 min de leitura



Do Punk Rock ao ativismo, quem foi Vivienne Isabel Swire, a estilista britânica que trouxe o estilo ousado vinculado ao Punk ao público nos anos 80



Vivienne Westwood abriu sua primeira loja em 1971 com o também estilista Malcolm McLaren, na famosa King’s Road, em Londres. Os integrantes da banda recém formada Sex Pistols frequentaram a loja e logo ela ficou encarregada dos figurinos dos caras, influenciando toda uma geração de punks e góticos. Nos anos 1980, Vivienne impulsiona o estilo neo-romântico, revisitando o espartilho, que posteriormente se tornou sua marca registrada. Os vestidos de noiva de Westwood são alguns dos mais desejados e copiados ao redor do mundo..

A designer costumava fazer roupas no estilo Teddy Boy (subcultura britânica que inspirou o visual rockabilly) para seu parceiro McLarem, que posteriormente se tornou empresário da banda Sex Pistols. Apaixonados por música e moda, o casal abriu a sua primeira loja no número 430 da historicamente transgressora King’s Road, sob o nome Let it Rock. Quando o quarteto começa a tocar junto, em 1975, Malcolm assume o posto de empresário e Vivienne se encarrega dos figurinos, criando toda a identidade visual dos pioneiros do punk rock. O movimento era estético e mais ainda: político. 

O estilo Punk, assim como a música, surgiu nas periferias de Londres, através de jovens filhos de operários com o intuito de criticar o sistema burguês e o modo de produção capitalista. A vestimenta característica tem o visual pautado no DIY (Do it yourself) e no upcycling, utilizando como base roupas ‘tradicionais’ de brechós e lojas de departamento e inserindo rasgos, tachas e zíperes, juntamente com peças de couro no estilo BDSM. O questionamento do que é belo de fato e o que nos faz sentir incluídos na sociedade era a razão das peças de estilistas serem tão marcantes, trazendo após isso para as passarelas camisetas com estampas ativistas contra o próprio sistema de opressão capitalista, uso de armas e bombas. Vivienne nunca separou sua moda e visão de mundo da estética de suas peças, até o fim de sua vida.

A designer é considerada a responsável por reacender o interesse do público pelo, até então em desuso, espartilho. Peça que acabou se tornando uma de suas assinaturas. Saias de tule, crinolinas do século 19 em versão míni e tecidos tradicionais britânicos, como o tartan e o tweed, também se tornam seus marcos, sempre ressignificados. Sua primeira coleção masculina vem em 1989, mesclando elementos medievais com características associadas ao skate.

Em 2008, a personagem Carrie Bradshaw decide subir ao altar com Mr. Big, no primeiro filme de Sex And The City, usando o vestido icônico desenhado por Vivienne para sua antiga linha Gold Label. O vestido foi resedenhado especialmente para a atriz Sarah Jessica Parker usar na lendária cena onde o noivo babaca a abandona no altar. De qualquer forma, a personagem marcou gerações com o visual completo, o belíssimo bouquet de flores sendo destruído na cabeça do desquerido fez com que tudo ficasse mais Punk ainda.

“Se hoje temos na passarela uma presença e uma discussão muito clara e crítica sobre questões de identidades, papéis e expressões de gênero, assim como pluralidade dos corpos, economia circular e noções de beleza sendo ressignificadas, isso tudo se deve a Vivienne Westwood e também àqueles que redimensionaram o seu legado posteriormente”, aponta o pesquisador em Filosofia, ciências humanas e Teoria de Moda Brunno Almeida Maia em entrevista para o jornal Metrópole. “A influência de Vivienne pode ser percebida a partir da moda com o olhar voltado para as ruas, do questionamento das normas e de padrões da burguesia capitalista, bem como da questão da individualidade, mostrando que a moda não é apenas sobre roupas, mas sobre pessoas. Por meio da ‘agressão’ crítica e radical, ela levava a ação política para as passarelas”, enfatizou Brunno.

Os rastros de Vivienne Westwood na moda são amplos e nem sempre óbvios. Para exemplificar, o especialista cita a exposição Punk: Chaos to Couture, realizada no Metropolitan Museum of Art (Museu Metropolitano de Arte), em Nova York, nos Estados Unidos, em 2013.

Em 2014, Vivienne em entrevista ao The Guardian: “A mudança climática, não a moda, é agora a minha prioridade”. Para o verão 2020, a estilista apresentou uma coleção com metade do tamanho das anteriores, toda feita com roupas sustentáveis. Entre os cartazes, se destacava “o que é bom para o planeta, é bom para a economia”. No mesmo ano, em celebração aos seus 80 anos, a designer e ativista lançou o curta-metragem Do not buy a bomb (em tradução livre, não compre uma bomba). A produção foi exibida no telão da praça Piccadilly Circus, em Londres.

Comentários


bottom of page