top of page

Mulheres no metal extremo

Foto do escritor: Mariana Hilal
Mariana Hilal
15 de abr. de 2024
4 min de leitura

O Rock e o Metal são das mulheres. Esta é uma frase que não deveria gerar dúvidas quando lida, já que incríveis musicistas fazem história no gênero há tempos: Janis Joplin, Joan Jett, Lita Ford, Doro Pesch e Simone Simmons são apenas alguns nomes em uma lista que pode ser infinitamente estendida. Mas, como é de conhecimento do senso comum, o Rock and Roll imita a vida. E é por isso que, na indústria roqueira, as mulheres também têm que trabalhar o dobro para receber o reconhecimento merecido, sendo integradas em um mundo dominado por homens. No Brasil os nomes femininos são de grande influência no cenário mundial, a Banda Crypta, formada por quatro mulheres é um grande exemplo de sucesso neste meio. A vocalista e baixista Fernanda Lira é ativista feminista e vegana, não deixa pra trás nas suas letras a necessidade de gritar por justiça de gênero e da causa animal.


Anteriormente Fernanda pertenceu a banda Nervosa que em 2012 lançou a primeira Demo Time of Death, produzida no estúdio Mr. Som, do Pompeu e Heros do Korzus. Em maio do mesmo ano, a banda assinou com a gravadora austríaca Napalm Records. Em março de 2017 anuncia a entrada de Luana Dametto como baterista. A entrada de Luana fez com que a banda adotasse elementos de death metal a partir do terceiro álbum, Downfall of Mankind, lançado em 2018.  A maior parte das letras focam em problemas sociais do Brasil, corrupção e política. As principais influências citadas foram Suicidal Tendencies, Sepultura, Slayer e Exodus.


Fernanda Lira, estava conversando com a Metal-Heads da Alemanha quando o assunto passou a ser a política brasileira, e ela explicou qual sua postura em relação à eleição de Jair Bolsonaro como Presidente do Brasil. "Essa é a pior coisa, literalmente, que aconteceu ao meu país, na minha humilde opinião, nos últimos anos. Em 150 dias de governo regredimos 100 anos no tempo com leis e medidas idiotas que eles estão fazendo, e não é apenas o lance político, porque quando você discute política está basicamente falando sobre como você deve lidar com a economia e coisas do tipo. Mas o cara que é nosso presidente agora, ele é racista, homofóbico, misógino - ele é tipo o pior de tudo. E ele diz tudo isso abertamente - ele nem sequer tenta disfarçar".

O entrevistador comenta que Bolsonaro teve uma taxa de aprovação de 49% em janeiro, e ela explica: "Ele tem esta aprovação pois, de certa forma, hoje eu vejo que alguns brasileiros também são assim - racistas, homofóbicos, misóginos. E por isso que isto é horrível, pois estávamos seguindo em direção a algo legal em relação à igualdade de direitos, direitos a minorias e coisas assim, e agora está tudo desaparecendo. E como coisas estúpidas que você vê nos noticiários todos os dias que você não consegue acreditar, tipo ele (Bolsonaro) foi visitar uma comunidade negra e em uma entrevista mais tarde disse, 'Esses caras deveriam ser vendidos como escravos' e coisas assim. Não envolve somente política mas também humanidade. Esse cara é a pior coisa que existe. Ele não é apenas um mau político - ele é um ser humano ruim."


No cd lançado em 2018 “Downfall Of Mankind”, a Nervosa se apresenta um pouco diferente. A principal mudança ocorreu na formação: a baterista Luana Dametto entrou para a banda, e, no novo disco, a sonoridade thrash do grupo apresentou elementos interessantes do death metal, seja pelo background de Luana na música extrema – ela veio de uma banda de death metal chamada Apophizys, de Passo Fundo (RS).

Em entrevista para a revista alemã, Luana Dametto disse que a fusão de elementos death metal à sonoridade thrash da Nervosa ocorreu de forma natural. “Creio que a banda já vinha evoluindo há muito tempo, sempre com novos elementos a cada álbum, mas claro que com o meu background tocando death metal e sendo fã de música extrema, isso possibilitou ainda mais uma mistura de death com thrash. Quando começamos a deixar algumas músicas mais extremas nos ensaios, todos gostaram. Então, certamente, esse era o rumo que tínhamos que tomar para o novo álbum. Blast beat sempre foi uma preferência nas minhas linhas de bateria e é claro que não iríamos deixar que colocar isso na Nervosa”, afirmou.

“Downfall of Mankind” contou com produção do argentino Martin Furia – “excelente produtor, testou tudo que queríamos testar e é muito aberto para mudanças e opiniões”, define Luana – e participações de João Gordo (Ratos de Porão), na paulada crossover “Cultura de Estupro”, e Michael Gilbert (Flotsam And Jetsam) e Rodrigo Oliveira (Korzus), ambos na faixa “Selfish Battle”, orientada ao heavy tradicional. De acordo com Luana Dametto, a mensagem de muitas músicas presentes em “Downfall of Mankind” é puramente feminista, o que reforça a importância da banda nesse cenário ao discutir esse tema em suas composições.


Em 2020 Luana e Fernanda anunciaram sua saída da banda Nervosa e logo a criação da banda Crypta. Desta vez a sonoridade é voltada pro death metal, no debut album Echoes of the Soul (2021) gravado em São Paulo, no Family Mob Studio. A produção ficou sob os cuidados do músico Rafael Augusto Lopes. A mixagem do disco foi feita em Estocolmo, na Suécia, por Daniel Bergstrand, bem como a masterização, realizada no Fascination Street Studio pelo renomado Jens Bogren. Já no seu segundo álbum, Shades of Sorrow, lançado em 2023 pela gravadora Napalm Records. O disco estreou na 71ª posição da parada Top Current Album Sales, da Billboard com 1.000 unidades vendidas. O grupo também entrou na parada Emerging Artists, obtendo a posição de número 41.


Lira classificou o trabalho como ''semiconceitual '', onde descreve uma jornada pelas profundezas de nossa psique ao enfrentar batalhas difíceis. ''É uma viagem aos muitos tons de dor que às vezes temos que enfrentar enquanto suportamos nossos desafios da vida. As músicas são a trilha sombria, obscura e emocional perfeita para essa jornada”.




 
 
 

Comentários


bottom of page